
Sou um Idiota até o ano que vem!
Por herança, um presente de grego
Por Geraldo Gabliel

JEAN PATRICK
Av. General Roçadas, 36
1170-163 LISBOA – PORTUGAL
A gente faz, ou fazia, piada de português por aqui em terras brasilianas. Isso ocorria no tempo em que contar uma boa piada de alguém não agredia a ninguém. A ‘vítima’ da piada – quem se ofendia – mandava logo uma lapada no ofensor com outra piada mais hilária – no deboche mesmo; e tudo terminava em risos, diversão; na Europa: uma taça de vinho, numa mesa de bar.
Hoje? ai de mim chamar um portuga, ou quem quer que seja, de Mané, de Parvo ou, simplesmente, idiota, de forma jocosa. Mas, e se o próprio interlocutor afirma em mensagem de texto: sou um idiota até o ano que vem?! – Questiona Geh Latinus, após contato com Patrick – O gajo lisboeta.
Pensei até que, apenas esta declaração do amigo, não seria suficiente para escrever uma Crônica (com C maiúsculo mesmo). Mas, estudando o tema, e revendo a memória de um tempo recente, (Latinus esteve em Lisboa um bom tempo, convivendo com Patrick e amigos portugueses e muitos imigrantes vindos dos 7 continentes do Planeta), conclui-se que aqui temos muito pano pra manga, vejamos:
Patrick está aportuguesado pela vivência, convivência e legalidade em Portugal, mas é tão brazuca quanto eu e você. Assim sendo, este jovem entende bem as artimanhas da língua portuguesa do lado de lá e também do lado de cá do Atlântico. Mas declarar-se um idiota, e marcar um tempo limite para deixar de ser idiota, penso que isso não é comum aos lusitanos e tampouco aos brasileiros. Aliás, isso não é normal a nenhuma pessoa de bom siso, a não ser que seja um idiota mesmo…
Traduzindo um texto do espanhol aqui…
A palavra idiota¹ tem uma origem interessante que remonta à antiga Grécia, onde seu significado era muito diferente do que conhecemos hoje em dia. […] O termo “idiota” – em sentido político – se usava para descrever um cidadão que se manteve fora da vida política, alguém que não participava nos assuntos políticos e sociais da sua cidade. Esse cidadão era visto como alguém que só se preocupava por seus próprios interesses privados, não contribuindo à sociedade. Assim, o termo “Idiota” originalmente se referia a uma pessoa ordinária ou de iniciativa privada, em oposição a alguém que era uma pessoa “Pública”.
Vejam que, em essência, a palavra idiota não tinha nenhuma conotação necessariamente negativa. Era simplesmente uma designação para alguém que não exercia nenhum papel na administração pública ou política – tipo “negócios públicos” – na sociedade em que vivia.
Foram os romanos – putos romanos! – que deram outra conotação para esta palavra:
Quando o termo “idiota” foi adotado no latim medieval, começou a tomar um significado pejorativo. Os romanos passaram a usar esse termo para se referir a uma pessoa ignorante, sem conhecimento técnico ou erudito.
Durante a Idade Média, esta palavra passou a descrever a quem não tinha formação acadêmica em áreas como Teologia, Filosofia e Ciências Naturais que, logo seriam ensinadas em universidades emergentes da Europa.
Contemporizando – em nossos dias, que é, de verdade um idiota? E há “idiota útil”?
Na transição em francês e em outros idiomas europeus, a palavra idiota passa a ser usada para referir-se a uma pessoa com pouca inteligência, estúpida ou carente do senso comum. Em nosso idioma português [seja lá ou cá], usamos a palavra idiota com esta conotação negativa, em referência a alguém com falta de discernimento, ou que comete ações estúpidas. [Ah! Brasil…]
Ainda que a palavra idiota tenha um sentido neutro na Antiga Grécia, sua transformação de significado ao longo dos séculos reflete mudanças culturais e sociais. Uma palavra que se referia a alguém que simplesmente decidia viver longe da vida pública passou a ser um insulto usado para menosprezar a inteligência ou juízo de uma pessoa.
Parece-se que Patrick está me tirando. Ele está testando o meu nível de ignorância (ou idiotice) neste fato? Ou seria, num sentido real que ele esteja se sentindo um idiota e que decidiu pôr um limite à sua passividade nalguma situação cotidiana em que alguém esteja fazendo-o de idiota?
Geh Latinus, lembra muito bem do dilema que Patrick vivia naqueles dias: – Sua mãe, afetada por um quadro clínico psicótico, manifestava-se com dupla personalidade – virava a chave de mudança com cerveja, muita cerveja! – Quando dominada pelo álcool – sai de baixo! Baixavam naquele corpo os piores demônios – os falastrões e agressivos. Patrick, morando com ela, ficava entre a cruz e a espada. A mãe não dizia lé-com-cré…
Quando no auge do domínio do espírito da esquizofrenia:
– Eu sou portuguesa, sou rica! Tenho uma herança no Brasil – meu pai me deixou uma grande fazenda no Mato Grosso. Tenho casa numa importante cidade do Paraná. Aqui, alugo este apartamento, e ele é meu, e você Patrri… é um verme, morando aqui como um mendigo… gasta todo o seu dinheiro com cachaça! (Mentira!)
E disparava contra Patrick – que sabia que realmente existia tal herança, mas que um certo tio havia tomado posse de tudo, e ameaça a mãe dele de interná-la num manicômio:
– Você é um idiota, um imbecil! E outros impropérios inteligíveis ou, não adequados para serem citados por aqui.
Apesar de Patrick não reagir – com toda a paciência do mundo… dormia durante o dia num velho sofá da sala – que fedia a tabaco de um século! Patrick, cansado do trabalho noturno na portaria e recepção de um edifício da nobreza de Lisboa- onde morava um tal de Tedros da OMS. Parecia um cachorro maltratado pelo dono, sem reações, mas fiel à companhia da mãe. (Patrick nem comia em casa, era assíduo aos bares, onde tomava café, muito café…)
Geh Latinus sabe que Patrick é boa gente e que, se alguém o chamasse de idiota, seria à la grega, pois o jovem não dava um pio quando a sua mãe “quebrava o barraco” em casa – ele não se metia na política da sua família, nem no domínio da Sra. Montanaro. Por isso mesmo, acredita-se que Patrick havia tomado uma decisão de abandonar o barco da sua mãe e ir viver em paz noutro lugar. Aliás, última vez que se viu Patrick nas Mídias Sociais, ele estava bem acompanhado: – Enamorado de uma linda rapariga casadoira! Olelê!
Idiota mesmo, no sentido bem real em nossos dias, fui eu que também habitei naquele antro dos demônios, na esperança de que num insight de lucidez daquela mulher eu não me tornasse um “idiota útil” como tem sido muita gente aqui na minha Pátria…
Haja idiotice! toda uma nação sujeita ao comando e domínio de um Idiota-mor que conduz o Barco Brasil ao precipício das Marianas. Nos fazem de idiotas há muitooo tempo… E isso, não é piada! Não tem graça…
Saúde Capitão! Nossa herança não é um presente de grego.
¹https://www.facebook.com/photo/?fbid=10162863002504701&set=a.10151017591249701














