Holocausto Brasileiro
Moiseis Oliveira da Paixão*
Na cidade de Barbacena
Ouviu-se gritos na escuridão
Dezenas, centenas, milhares
Uma grande multidão
Eram gritos de socorro
Por tanta ingratidão.
Até hoje vozes são ouvidas
Muitas vindo do além
Aquelas cenas tristes
Fez-me sofrer também
Pessoas de mentes frias
Deixaram todos reféns.
Tudo aconteceu no hospital
Lugar de tantos doentes
Mas tudo foi ao contrário
Ali morreu muita gente
E os governantes da época
Não sei o que tinham na mente.
Esse hospital psiquiátrico
Hospital Colônia, era chamado
O nome era muito sugestivo
Por muitos anos lembrado
Internos viviam ali
Como presos encarcerados.
Pessoas eram internadas
Levadas com empurrões
Viviam ali amontoados
Sofrendo de várias agressões
Mesmo não estando doentes
Por causa das perseguições.
Epiléticos, alcoolistas
Eram presos sem saber
Homoxessuais e prostitutas
Presos por gente de poder
Até meninas inocentes
Muitas grávidas sem querer.
Até esposas de fazendeiros
Presas sem condenação
Os maridos tinham amantes
Vivendo em prostituição
Filhas de fazendeiros grávidas
Formavam a grande multidão.
Era um inferno, esse lugar
Em 1903 fora fundado
Pessoas consideradas loucas
Muitos viviam enjaulados
Longe de suas famílias
Viviam trancados e isolados.
Sem assistência médica
Muitos morriam no hospital
Nem saneamento básico
Era um ambiente do mal
Além de serem mal tratados
Por um sistema brutal.
Pessoas viviam ali nuas
Naquele inferno particular
O frio doía na alma
Da cabeça ao calcanhar
E as pessoas da cidade
Fugiam para não ajudar.
Eu nada tenho a declarar
Diziam os maiorais
Quando tudo foi descoberto
Publicado em vários jornais
Horrores como essa tragédia
Não deveria acontecer jamais.
Agora fica esse alerta
Para a geração futura
Todos nós somos iguais
Com dinheiro ou sem fartura
Se respeitarmos as pessoas
Teremos uma alma pura.
*Moiseis Oliveira da Paixão – Escritor, poeta, jornalista e serve como presbítero na Assembleia de Deus em Cacoal















