Poesia: Cangaceiro de Luz – O Super-Herói Nordestino

Cangaceiro de Luz – O Super-Herói Nordestino

Moiseis Oliveira da Paixão*

No sertão nasceu valente,
Com coragem no olhar,
Um herói tão diferente,
Com poder de acalmar,
A seca, o medo, a fome
E o Sol que insiste em castigar.

Seu chapéu de couro brilha,
Feito estrela do sertão,
E ao som da velha zabumba,
Faz justiça com paixão.
Cada passo que ele trilha
É vitória para o povão.

Seu nome ecoa nos montes,
Do agreste ao litoral,
Defensor de mil fontes
E da cultura imortal.
Tem poder que faz os contos
Virarem parte da vida real.

Na caatinga ele resiste,
Como o mandacaru flor,
Onde a esperança persiste
Mesmo em meio a tanta dor.
E com sua força existe
Mais justiça e mais amor.

Domina os ventos e a areia,
Tem a força do trovão,
Seu olhar tudo clareia
Como farol do sertão.
Cada vez que a dor semeia,
Ele chega, é salvação.

Combate a fome e a sede,
Com seu braço protetor.
Quem com ódio se intermede
Sente o peso do valor
De um povo que nunca cede
Mesmo em face ao opressor.

Nas vilas e nas quebradas,
O seu nome tem temor
Nas feiras e nas estradas,
Na rima do cantador,
Nas lendas encantadas
E no verso do escritor.

Ele é filho da enxada,
Da sanfona e do baião,
E sua força encantada
Brotou do chão do sertão.
Tem a alma iluminada
E faz justiça com sua mão.

Voa alto como o vento
Que varre a imensidão,
Protege com sentimento
Cada canto do rincão.
É o grito e o movimento
De um herói do coração.

Seu traje é resistência,
É história que reluz.
É fé e é consciência,
É esperança que conduz
Com coragem e prudência
O seu povo à nova luz.

Nos olhos, o brilho quente
De quem sonha sem cessar,
De um herói tão diferente
Que nasceu para libertar.
Do sertão é a semente
Que ninguém vai arrancar.

E assim segue a jornada
Do guardião do Nordeste,
Com a força encantada
De quem nunca se reveste
De mentira ou de cilada,
Só de amor e honra agreste.

Filho de pai nordestino
Esse poeta arretado,
Nasceu fazendo versos
Mesmo no sol escaldado.
Da seca fez seu destino,
Com fé e mão no arado.

Moiseis herdou sua poesia
E os encantos que a vida traz,
Ouvindo relatos da família
E as estórias dos canaviais.
Agora relembra as passagens,
De um povo muito sagaz.

Na seca ou na chuva forte,
Ele não perde a coragem,
Na lida da roça e do sol
Ou noutra linda paisagem.
O herói desse povo sofrido
Esse homem perspicaz.

*Moiseis Oliveira da Paixão – Escritor, poeta, jornalista e serve como presbítero na Assembleia de Deus em Cacoal

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