Inflação nos EUA mais alta em 40 anos: entenda os impactos

  • A inflação nos EUA atingiu o maior nível desde 1982, refletindo desequilíbrios da pandemia.
  • Preços altos devem levar o Banco Central por lá a subir os juros.
  • Como isso impacta o Brasil e como proteger seus investimentos?
  • A gente te conta tudo aqui.

A inflação ao consumidor nos Estados Unidos, medida pelo CPI (sigla em inglês para índice de preços ao consumidor) registrou alta de 0,8% em outubro. O resultado veio um pouco acima das expectativas dos analistas de mercado, levando o acumulado em doze meses para 6,7% – maior alta desde junho de 1982, e muito acima da meta do Banco Central americano, de média de 2%.

Mais uma vez, preços de energia e carros foram dois dos principais destaques do resultado mensal, reforçando a percepção de que o forte ritmo da economia americana e gargalos nas cadeias de suprimento seguem parte central do desafio do controle de preços no país e no mundo.

Como isso impacta o Brasil?

De maneira mais direta, a inflação observada nos EUA reflete muitos movimentos de preços que também sentimos por aqui, especialmente de bens básicos (as famosas commodities), como gasolina e alimentos. Ou seja, como a dinâmica entre oferta e demanda no mundo também afeta a nossa inflação no Brasil, preços perdendo/ganhando força nos EUA podem ser um indicativo de comportamento a ser esperado também no cenário doméstico.

Além disso, também importamos muitos produtos manufaturados de países desenvolvidos, sendo os EUA um de nossos principais fornecedores. Assim, quando os preços de determinados produtos sobem por lá, sentimos parte dessa alta também por aqui, via importação. Claro, contabilizando aí também a diferença do câmbio real X dólar.

Para além da alta de preços em si, o dado de inflação dos EUA tem chamado atenção do mundo por conta dos impactos esperados na atuação do FED, o Banco Central americano.

Com a inflação em níveis recordes e dados de atividade econômica reforçando que a economia segue se recuperando muito bem (obrigada), crescem as expectativas para quando o FED começará a subir os juros. Os “Fed funds” (taxa básica de juros americana) estão em 0% – 0,25% desde o início da crise pandêmica, com o objetivo de estimular a economia.

Menores estímulos e maiores juros no mundo reduzem a atratividade relativa de ativos em países mais arriscados, como o Brasil. Isso ocorre devido a redução do chamado diferencial de juros. Em bom português: com juros maiores lá, investidores pensam um pouco mais sobre investir aqui, onde o risco é maior.

Assim, o rumo dos juros nos EUA também impacta o rumo dos nossos juros aqui. Quanto maiores os juros por lá, menor a entrada de dólares aqui (logo, mais desvalorizada nossa moeda), o que por sua vez impacta nossa inflação.Contribuindo assim, para maiores juros por aqui também.

E seus investimentos?

Proteger seus investimentos contra a alta de preços aqui e lá fora torna-se ainda mais essencial momento atual. Além disso, o movimento de alta de juros pode trazer boas oportunidades.

Considerando os preços em alta acelerada por aqui, títulos indexados à inflação, como Tesouro IPCA + 2026, debêntures de empresas sólidas com vencimento médio, e fundos de inflação (fundos de investimento que investem em ativos indexados à inflação) são ótimas alternativas. Ao mesmo tempo, o período de juros em elevação também traz oportunidades em títulos pós fixados – aqueles que acompanham a nossa taxa básica de juros, a Selic. Tesouro Selic com curtíssimo prazo (como 2024), CDBs de bancos sólidos e fundos de crédito privado também ajudam a aproveitar as oportunidades do ciclo de alta da Selic.

Falamos mais das melhores oportunidades de renda fixa por aqui.

Já na renda variável, destaque para empresas ligadas ao setor de commodities (com ativos reais e receitas dolarizadas), que podem ser ótimas alternativas para uma carteira diversificada, de acordo com o perfil de risco do cliente. Ainda, por aqui, fazemos uma seleção de empresas brasileiras e internacionais que se destacaram historicamente em momentos de inflação alta.

(Por Rachel de Sá/Riconnect)

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