Sem noção
Os vereadores de Porto Velho acham que estão na Assembleia Legislativa ou até mesmo na Câmara dos Deputados em Brasília. Falam demais em assuntos estaduais ou até nacionais, mas pouco agem para atender as demandas em sua própria cidade. Vamos a alguns exemplos…
Sem noção 2
Esta semana um vereador criticou o abandono do Centro de Abastecimento de Rondônia (Cearo), mais conhecido em outros lugares como Ceasa, inaugurado em março de 2022. Nunca funcionou porquê faltavam alguns detalhes: marcação dos pontos de venda, uma central higienizadora, um banco de alimentos e uma composteira.
Sem noção 3
O vereador da capital resolveu meter o bedelho em um assunto do Governo do Estado. E ele usou a seguinte legenda: “Agora? Falta tudo! A estrutura está abandonada, enquanto toneladas de alimentos se perdem por falta de um local adequado para distribuição” , segundo o que ele escreveu na legenda de um vídeo no Instagram.
Sem noção 4
Ele seguiu: “A agricultura familiar é a base da nossa economia! Mais de 80% dos produtores rurais de Rondônia são agricultores familiares. Eles produzem os alimentos que chegam à nossa mesa e movimentaram quase 8 bilhões de reais só em 2023/2024! Mas sem um centro de abastecimento, quantos bilhões mais estão sendo jogados no lixo?”.
Sem noção 5
Ele insiste em um assunto estadual. Se ele pelo menos falasse QUANTOS PRODUTORES DE PORTO VELHO são prejudicados, aí a fala dele ganharia alguma força. Mas ele só fala do estado inteiro. Até onde sei, ele é vereador DA CAPITAL e não DEPUTADO ESTADUAL. O que parece é que muitos enxergam a Câmara como trampolim para a Alero em 2026.
Sem noção 6
Um outro vereador porto-velhense ainda tem a “brilhante” proposta de dar lanches para policiais militares que estão em serviço na sexta-feira. Vejam bem, não estamos criticando a proposta, porquê os policiais merecem, mas a polícia é responsabilidade do Governo do Estado!

Jogando para torcida
Um outro resolveu ir até a Secretaria Estadual de Justiça (Sejus) “cobrar pautas fundamentais para os policiais penais e servidores da Secretaria de Justiça” . Eu achei que essa era função dos deputados estaduais, já que a Sejus é de responsabilidade do Executivo estadual e não da Prefeitura…
Jogando para torcida 2
O mesmo vereador (que acha que é estadual) que “corre atrás” de lanches grátis para policiais militares, resolveu falar sobre mais um assunto que interessa mais a outros do que aos próprios cidadãos porto-velhenses: “nos foi enviado um contracheque do coronel Felipe Rodrigues Maia Leite, que, no mês de fevereiro, recebeu R$ 263 mil do Estado de Rondônia”.
Jogando para torcida 3
O tal vereador “estadual” continua com a “indignação”: “a PM diz que não tem dinheiro para pagar o Derso, mas, enquanto isso, um coronel recebe uma quantia exorbitante vendendo sua LE [licença especial], coisa que o praça não consegue fazer. E não para por aí! Além desse valor absurdo, ele ainda recebe compensação orgânica de mergulhador, sem exercer a função”.
Aula
Se os nobres edis ainda não entenderam, basta dar um Google ou ir até à Constituição (aquele livro que tem a bandeira verde e amarela na capa) para saber o papel deles: vereadores não têm a atribuição de fiscalizar ou cobrar diretamente o governador. O papel dos vereadores é legislar e fiscalizar a administração pública municipal, ou seja, a prefeitura e o prefeito.
Aula 2
Cada nível de governo (municipal, estadual e federal) tem seus próprios representantes eleitos (vereadores, deputados estaduais, deputados federais e senadores), que desempenham papéis específicos de acordo com suas competências.
Politicagem
E em uma legislatura cheia de “doutores” (advogados) o que vemos é uma insistência em “jogar para a galera”. Já alertamos sobre um deles insistir em ser o defensor “do estacionamento no shopping”. Primeiro o tal doutor assumiu a paternidade de Léo Moraes ter tirado as placas de proibido o estacionamento em torno do centro de compras.
Politicagem 2
Em seguida, ele aproveitou a “onda” e resolveu entrar com uma lei para “regulamentar” o estacionamento do local, com suposto aumento da tolerância e outros quetais. Porém, acho que mesmo sendo um “especialista” em leis, o poder público não pode interferir em questões privadas, como estacionamentos em shoppings.
Politicagem 3
Ou ele esqueceu ou ele está naquela de “vocês viram, fiz minha parte, mas a justiça não aceitou minha lei” . Em 2014, a Assembleia Legislativa aprovou uma lei que determinava que quem fizesse compras 10 vezes acima o valor do estacionamento estaria isento do pagamento. Três meses depois, o Tribunal de Justiça de Rondônia (TJ-RO) derrubou a lei.
Politicagem 4
O motivo? É algo bem simples do Direito Constitucional (que eu acho que esses doutores vereadores estudaram durante 5 anos): a lei é inconstitucional e fere o princípio da liberdade de mercado. Como o estado vai querer gerenciar valores e regulamentar algo que é de alçada de um estabelecimento totalmente privado?
Liberdade
O que é justo foi o que o prefeito Léo Moraes (Podemos) fez: retirou as placas e um dos canteiros, dando opção de quem quer estacionar fora do shopping, o faça. Mas corre risco de prejuízos, como arrombamentos, furtos e até alagamentos. E quem quiser, estaciona dentro, com teórica segurança e comodidade.

Cai N’Água
O senador Confúcio Moura (MDB-RO) participou de uma entrevista na televisão na última quinta-feira (27), em Porto Velho. O parlamentar destacou a necessidade urgente de retomada das obras de recuperação do Porto do Cai N’Água e a importância estratégica dos portos para o escoamento da produção e o crescimento econômico de Rondônia.
Cai N’Água 2
“O Rio Madeira é uma das principais vias de transporte de cargas da região. O Porto do Cai N’Água está parado há dois anos, mas agora, atendendo a um pedido nosso, o Governo Federal, por meio do Ministério dos Transportes e de Portos e Aeroportos, enviou uma missão para vistoriar esse e outros portos ao longo do rio” , explicou Confúcio.
Cai N’Água 3
O senador ressaltou que a precariedade da infraestrutura portuária tem impacto direto na economia do estado. O modal hidroviário surge como alternativa essencial para desafogar o tráfego terrestre e evitar congestionamentos em pontos estratégicos, como em Candeias do Jamari, onde carretas enfrentam longas esperas para descarregar mercadorias.
Atrasos
“A falta de infraestrutura gera prejuízos aos transportadores, que perdem dias esperando para embarcar suas cargas. O compromisso do Governo Federal com a revitalização dos portos pode mudar essa realidade” , destacou.

Novos tempos
O senador acredita que a reativação do Porto do Cai N’Água e de outras estruturas é apenas o começo de um novo ciclo econômico para Rondônia. “ Agora temos vontade política e recursos garantidos. O governo entendeu que investir em infraestrutura de transportes não se resume a rodovias, mas também a hidrovias, portos e aeroportos” , reforçou.














