O município de Cacoal passa por um momento muito delicado em relação à situação de saúde pública e os relatórios diários, referentes à pandemia da Covid-19, divulgados nos últimos dias de 2020 e nessa primeira quinzena do novo ano, deixam muito claro que Nossa Urbe Obediana precisará adotar medidas muito eficazes para impedir o visível avanço da doença no município. Neste sentido, tudo indica que o ano letivo nas escolas públicas de Cacoal pode ter o início comprometido, caso a ideia seja a volta das atividades presenciais. Somente um louco, ou uma pessoa completamente inconsequente, poderia sugerir atividades presenciais em escolas com o cenário sanitário que há neste momento. Ou, então, o avião de Cacoal esteve na Índia bem antes do avião do Pazuello…
Antes de qualquer avaliação, no campo da Pedagogia ou da Didática, precisamos lembrar que, infelizmente, o número de óbitos em Cacoal, nos meses de dezembro de 2020 e janeiro deste ano, é muito maior, se comparado aos números registrados de março a novembro do ano passado. Os números sobre os quais me refiro estão no Portal do Governo de Rondônia e mostram que a situação é muito grave. Vale registrar que os números oficiais ignoram as subnotificações e, por isso, não existe nenhuma possibilidade de saber com precisão sobre os efeitos reais da pandemia. Todavia, há muitos dados do mundo real que não podem jamais ser ignorados, sob pena de termos em Cacoal uma situação insustentável.
O problema começa com a infraestrutura do setor de saúde na Capital do Café. Para não cometer nenhuma injustiça, é necessário esclarecer que o governo municipal não pode ser responsabilizado pela carência de leitos de UTI para o atendimento às vítimas da Covid-19. As questões de saúde chamadas de média e alta complexidade (como é o caso de UTI ) são de responsabilidade do governo estadual. Infelizmente, o governo de Rondônia nunca abriu um leito de UTI em Cacoal para atender pacientes com Covid-19, desde o início da pandemia. Estranhamente, mesmo sem fazer nenhum investimento, o mesmo governo decretou que Cacoal é um “polo para o atendimento às vítimas da Covid-19”. Somente no papel!!! Na prática, o que existe é um quadro de servidores muito dedicados e corajosos, colocando em risco a própria vida e de seus familiares, fazendo de tudo para salvar vidas; enquanto o governo de Rondônia brinca de governar… Os hospitais estaduais instalados em Cacoal precisam de equipamentos, mais servidores e mais respeito com os servidores, por parte do governo. Isto é fato!!!
Com este cenário, é possível pensar na volta às aulas presenciais??? Obviamente que não!!! Claro que não!!! Somente uma pessoa muito estúpida pode imaginar que daria certo. Tanto as escolas estaduais, como as municipais, precisam de alguma garantia científica, para falar em aulas presenciais. Os alunos que frequentam essas escolas possuem família. Muitas dessas famílias possuem pessoas dos mais variados grupos de risco. Os servidores públicos que atuam nessas escolas possuem família. Muitos desses servidores estão nos grupos de risco. Ao voltar da escola, os estudantes e profissionais de educação têm contato com seus familiares. O general Pazuello falar em volta às aulas presenciais, é plenamente compreensível, porque uma estrela do mar tem mais juízo do que ele; mas autoridades educacionais precisam agir com inteligência e coerência…
As pessoas que falam em aulas presenciais em Cacoal certamente não acompanham os boletins diários sobre a Covid-19 e provavelmente não estão sabendo do altíssimo número de óbitos ocorridos nos últimos 40 ou 50 dias. A própria ação da administração municipal, tentando inaugurar um hospital de campanha indica que o cenário piorou. E piorou muito!!! O secretário da educação em Cacoal chegou a marcar data para a volta às aulas. Entretanto, certamente, ele está apenas brincando, porque não existe nenhum parecer das autoridades sanitárias indicando que não há riscos. E duvido que alguém tenha coragem de assinar tal documento, antes da chegada da vacina.
A Pedagogia, com certeza, não recomenda a volta às aulas presenciais, porque os prejuízos podem se tornar incalculáveis. Claro que, quando falamos sobre temas educacionais, os dois filósofos da honestidade são prosélitos da nossa tese, conquanto sejam desafetos no campo político. Os dois filósofos sabem, plenamente, que, ao decretar a volta às aulas presenciais, o governo de Rondônia ou a administração municipal estarão decretando também o caos sanitário em Cacoal e no estado de Rondônia. Assim, essas mesmas instituições terão que fazer contato urgentemente com o nefelibata Pazuello e pedir que ele traga da Índia, além da vacina contra a Covid-19, pelo menos dois milhões de doses de vacina contra a insensatez e o fanatismo…
Tenho dito!!!!














