
VELHA GUARDA
Nos últimos dias, diversos jornais da capital de Rondônia divulgaram a possibilidade da volta ao cenário político de muitas pessoas que estão fora das disputas eleitorais em nosso estado há vários anos. Amir Lando, Valdir Raupp, Roberto Sobrinho, José Guedes e outras figuras políticas rondonienses podem surgir como candidatos nas eleições de 2026. Sobre a possível volta desses políticos à disputa eleitoral, as opiniões se dividem na capital e no interior, mas, caso eles não tenham nenhum problema com a Justiça Eleitoral, ou mesmo com a seara penal, certamente têm o direito de participar do processo eleitoral e passar pela avaliação dos eleitores. Ainda não há definições sobre que cargos os antigos políticos disputarão, mas alguns deles parecem não ter mais interesse em disputar vagas no Senado Federal ou na Câmara dos Deputados. Assim, algumas figuras conhecidas do estado podem estar de olho nas vagas de deputados estaduais, exceto o ex-senador e ex-ministro Amir Lando, que para Tribuna Popular afirmou interesse pela Câmara Federal. Neste sentido, as novidades devem ficar por conta das trocas de partidos e da busca por siglas que abram espaço para a chamada velha guarda da política.
JEAN DE OLIVEIRA
Entre os atuais deputados estaduais, quem pode encontrar problemas para disputar a reeleição é o deputado Jean de Oliveira, que está em seu quarto mandato e recentemente foi condenado pelo Tribunal de Justiça de Rondônia a uma pena de 2,7 meses de reclusão, além do pagamento de multa. A sentença judicial sobre o deputado é referente ao processo penal resultante da Operação Termópilas, deflagrada há quase 15 anos, quando Valter Araújo era o presidente da Assembleia Legislativa do estado. Na ocasião, vários deputados estaduais sofreram busca e apreensão, enquanto outros chegaram a ser presos. Diversos outros políticos que tiveram o nome envolvido na operação já foram condenados em anos anteriores e agora saiu a decisão sobre Jean de Oliveira, que é filho do ex-presidente da Assembleia Legislativa, Carlão de Oliveira. Assim que a notícia foi divulgada, muitos comentários surgiram nas redes sociais e inúmeras pessoas diziam que Jean de Oliveira teve o mandato cassado, mas isto não é verdade. A decisão judicial pode impedir o deputado de participar da eleição do próximo ano, caso seja mantida, mas não cassa o mandato.
AUSÊNCIAS CONHECIDAS
Caso o deputado Jean de Oliveira não consiga o registro para disputar as eleições de 2026, ele não será a única figura política do estado que ficará de fora da disputa. O ex-deputado Maurão de Carvalho, preso por problemas com a sentença judicial referente à Operação Dominó, também está inelegível e tudo indica que não voltará facilmente ao cenário político rondoniense. Após a derrota sofrida nas urnas, quando disputou o governo do estado, em 2018, o ex-deputado se mantinha fora das disputas, mas sua volta não era descartada, porque os políticos gostam muito do poder e do mandato. Entretanto, mesmo que ele tenha algum projeto para participar de eleições futuras, vai precisar de um bom tempo, para resolver as questões judicias e se reabilitar legalmente e politicamente. A situação de inelegibilidade pegou diversos políticos tradicionais de Rondônia e a lista é bem extensa, envolvendo ex-deputados, ex-prefeitos, ex-vereadores, ex-governadores e outros políticos. Claro que todos eles sonham com uma reforma política para 2026 que devolva a eles a chance de voltar, mas isso é uma longa discussão jurídica.
RECURSOS DO PAC
O vereador Amarilson Carvalho questionou o fato de que o orçamento da União foi aprovado somente no mês de março e que isto, segundo ele, poderia comprometer a chegada de recursos ao município de Cacoal. Isto não é verdade, porque todas as pessoas que acompanham a política nacional sabem que é muito comum o orçamento da União ser votado nos meses fevereiro ou março. Isso é uma tradição no Congresso Nacional e não compromete o envio de nenhum recurso aos municípios. Caso o vereador procure algumas informações na Prefeitura de Cacoal, ele vai descobrir que o município de Cacoal foi contemplado com muitos recursos do PAC, o Programa de Aceleração do Crescimento. O município de Cacoal se prepara para receber a construção de mais de 400 casas populares e investimentos superiores a 100 milhões de reais para serem investidos em obras de saneamento. Cacoal tem diversos problemas locais que precisam ser discutidos pelos vereadores e isto requer a apresentação de projetos de leis de autoria dos edis. Até este momento, não há nenhum projeto dos novos vereadores para melhorar a vida dos cacoalense. A discussão sobre temas nacionais é fuga da realidade do município.
CURSO DE ORATÓRIA
Nos próximos dias, haverá em Cacoal um curso de oratória e a expectativa é que muitas pessoas sejam inscritas. O curso será oferecido pela escola do Legislativo da Assembleia Legislativa de Rondônia e realmente representa uma necessidade, já que existe uma demanda muito grande. Essa, aliás, é uma excelente oportunidade para que todos os vereadores de Cacoal façam a inscrição e procurem se dedicar ao máximo para melhorar suas performances, seja na tribuna da Câmara Municipal ou mesmo em simples reuniões comunitárias. Os vereadores, assim como todos os demais brasileiros, não estão obrigados a dominar as normas gramaticais da Língua Portuguesa, mas o nível de vocabulário de todos eles precisa melhorar com urgência. Cacoal é um município que possui quase 100 mil habitantes e realmente não dá para ter tantos vereadores com enormes dificuldades para construir frases simples. Embora o curso de oratória tenha uma previsão de ser feito em poucos dias, qualquer treinamento que os vereadores puderem fazer será fundamental, porque os discursos são horríveis.
PONTOS DE ALAGAMENTO
O período de fortes chuvas no estado de Rondônia parece não ter chegado ao fim, mesmo que já estejamos praticamente na metade do mês de abril. Na capital do estado, diversas localidades da região do Baixo Madeira estão em situação de calamidade e preocupam as autoridades e a população. Um trecho da rodovia 425, que liga os municípios de Guajará-Mirim e Nova Mamoré à capital do estado está embaixo da água e impede a passagem de veículos. Caso as águas não baixem, a região da fronteira pode ficar isolada dos demais municípios do estado. Em Cacoal, o volume de água dos rios ainda é muito grande e representa riscos de alagamento. Em anos anteriores, centenas de famílias de Cacoal ficaram desabrigadas em virtude das fortes chuvas e a consequente enchente dos rios da região, além disso, muitas empresas sofreram com as enchentes e isto gera enormes prejuízos sociais e econômicos ao município.
NOVOS CONCURSADOS
As pessoas que fizeram o concurso público da Prefeitura de Cacoal esperam ansiosas pela convocação para tomar posse. O concurso foi realizado no ano passado e a carência de servidores em diversos setores da Administração Municipal é visível. O próprio prefeito Adailton Fúria costuma dizer que o município precisa contratar novos servidores para evitar que recursos enviados ao município voltem para os cofres estaduais ou federais, pela falta de projetos de execução de ações no município. Então, é necessário que o chefe do executivo cacoalense adote as medidas necessárias para acelerar a convocação do pessoal, mesmo porque, em alguns casos, haverá a necessidade de treinar os novos servidores para suas atividades. Entre os aprovados no concurso, há advogados, economistas, engenheiros, profissionais de saúde e outros. Isso vai melhorar muito o sistema de atendimento ao público e acelerar as ações em todas as secretarias municipais.
PRIVATIZAÇÃO DA ÁGUA
A discussão sobre uma provável perda do comando do SAAE de Cacoal para o governo do estado, após a aprovação da Lei Complementar 1.200/23, continua em luta nos bastidores políticos de Rondônia. A lei prevê a criação de um conselho estadual que teria a finalidade de administrar todos os bens dos 52 municípios de Rondônia, no setor de águas e esgotos. Diversos analistas do setor jurídico da capital e do interior consideram a lei aprovada inconstitucional e existe uma ação judicial em tramitação, visando declarar a inconstitucionalidade da lei, mas a situação ganhou ares de polêmica, porque muitos deputados estaduais defendem a aplicação da lei. Quando as discussões ganharam as redes sociais e a imprensa, alguns deputados recuaram e dizem ser contra a medida, mas eles ficaram mais de um ano calado, enquanto o estado se movimentava para implementar a proposta. Um projeto de lei de autoria do deputado Rodrigo Camargo pode ser o caminho para desmanchar o que foi feito, mas depende de votos dos deputados.














