Com exceção de Macapá, no Amapá, todo o resto do país já conhece os seus prefeitos e vereadores. Assim, já é possível ter uma noção de qual foi o recado das urnas do povo brasileiro aos eleitos e não eleitos. Uma das coisas que chamou muito a atenção nas eleições municipais desde ano é que muitos candidatos, olhando para o retrovisor, tentaram reproduzir a fórmula “mágica” que elegeu Bolsonaro em 2018. Muitos candidatos não entenderam que Bolsonaro foi eleito pelo repúdio brasileiro à pregação identitária do PT e de outros partidos de esquerda e extrema esquerda e as redes sociais foram apenas o canal por onde os eleitores manifestavam sua indignação.
Em Cacoal não foi diferente. Por aqui, teve gente que achou que bastava criar grupo em rede social ou gravar lives extremamente agressivas contra quem já estava no poder que lhe garantiria votos. Pode ser que esse comportamento tenha causado estragos principalmente para os vereadores que já estavam no poder, já que 80% dos que concorreram à reeleição foram derrotados, mas quem liderou a lista dos que mais faziam barulho acabou não conseguindo bons resultados.
O erro estratégico de quem se utilizou as redes sociais na tentativa de ser vitorioso como Jair Bolsonaro em 2018 foi não entender a diferença entre lives e engajamento dos eleitores. No caso de Bolsonaro, elegeu-se pelo engajamento espontâneo de milhões de brasileiros que se mobilizaram para colocar no poder alguém que fosse o contraponto ao PT e aos demais partidos de esquerda que, quando no poder, não conseguem praticar as virtudes que prometem quando estão fora do poder.
Em 2018 o povo estava ansioso por uma mudança radical na política brasileira, pois estava cansado da velha polarização PT e PSDB. Foi aí que emergiu Bolsonaro como novidade. Um político que conseguiu trazer uma mensagem contra a tentativa do PT e demais partidos de esquerda de fragilizar valores universais e em troca apostar na criação de grupos “identitários” empoderados que, em vez de ajudar na construção de uma sociedade mais justa e fraterna, acentuou as divisões.
O resultado disso é que o PT, como partido hegemônico de esquerda, mobilizou o resto da sociedade brasileira que não se sentia disposta a criar o seu próprio quadrado mas apenas viver em paz em sociedade a buscar alguém que fugisse à política do “nós contra eles” e quem melhor encarnou essa oposição aos guetos identitários foi o Bolsonaro nas eleições presidenciais.
Sem entrarmos no mérito sobre a governança do país exercida por Bolsonaro, o certo é que o PT paga caro por ter sido o partido que iniciou o trabalho sujo de dividir o povo brasileiro. Em nível nacional, não elegeu prefeito em nenhuma capital, além de ter reduzido o número de prefeitos eleitos a um número insignificante para um país com mais de 5.500 municípios. Ao contrário de 2012, quando o partido chegou a eleger mais de 600 prefeitos, a partir de 2016 o partido acentuou suas quedas e neste ano só conseguiu eleger prefeitos, salvo raras exceções, em cidades muito pequenas onde o povo tende a votar sem levar muito em conta o partido, mas no candidato.
Aqui em Cacoal, o PT já não elege vereador desde 2016 e neste ano de 2020 todos os seus candidatos a vereadores só conseguiram 1.278 votos, o que o colocou apenas como o 14º partido mais votado, superando apenas três partidos que lançaram candidatos no Município.
Enfim, o PT e outros partidos de esquerda erram em tentar fragmentar a sociedade brasileira, em vez de construírem uma política onde todos se sintam incluídos e respeitados, independentemente de raça, credo religioso ou gênero. O povo quer apenas que os direitos sejam universais, e as nossas leis protejam igualmente a homens e mulheres, negros e brancos, gays ou héteros etc. Além disso, o erro colossal do PT foi o de alinhar-se a regimes falidos como os de Cuba e Venezuela, o que escancarou a hipocrisia de seus líderes e suas ambiguidades gritantes, pois mesmo as pessoas mais simples conseguem entender que há uma contradição gritante de quem prega democracia e paralelamente apoia regimes totalmente antidemocráticos.














