EU E MEU BIFINHO

Hoje estou sozinho,
Sem ninguém para chamar.
Pensei logo comigo:
“Hoje eu vou caprichar!”
Se a fome veio sorrindo,
Também vou comemorar!
Disseram: “É só um bifinho…”
Quase morri de emoção.
Quando o prato apareceu,
Levou minha atenção.
Era um bife tão gigante,
Que assustava o garçom!
A garçonete perguntou:
“Vai dividir com alguém?”
Respondi dando risada:
“Comigo mesmo, meu bem!”
Se aparecer outro prato,
Pode trazer também!
Veio arroz bem soltinho,
Feijão para completar,
Salada bem colorida,
Farofa pra acompanhar.
Só faltou uma rede
Pra depois descansar!
Olhei para aquele bife,
Parecia um boi inteiro.
Pensei em chamar reforço,
Vizinho ou companheiro.
Mas a coragem falou:
“Você é brasileiro!”
A dieta fez as malas,
Nem quis se despedir.
Disse: “Hoje eu tô de folga,
Pode comer e sorrir!”
Amanhã a gente conversa…
Hoje é dia de curtir!
Cada garfada que vinha
Era motivo pra rir.
O prato não diminuía,
Parecia expandir!
Quanto mais eu avançava,
Mais bife vinha surgir!
Quando enfim terminei tudo,
Fiquei sem acreditar.
Olhei o prato vazio,
Sem nada pra beliscar.
Pensei: “Foi fome ou milagre?”
Nem deu tempo de piscar!
Se sobrasse um pedacinho,
Levava para o jantar.
Se ainda restasse outro,
Guardava pro café tomar.
Com um bife desse tamanho,
Dava até pra economizar!
Moral dessa brincadeira,
Sem tristeza nem chorinho:
Se a solidão bater à porta,
Não fique tão tristinho.
Faça amizade com a fome…
E convide um “bifinho”!
Moiseis Oliveira da Paixão














