quinta-feira, janeiro 15, 2026

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Ex-ministro do STJ recebeu R$ 595 mil de empresa ligada ao “Careca do INSS”, aponta Coaf

Um relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) enviado à Comissão Parlamentar Mista de Inquérito do INSS (CPMI do INSS) aponta que uma empresa ligada ao empresário Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, repassou R$ 595 mil ao advogado e ex-ministro do Superior Tribunal de Justiça Nefi Cordeiro.

Os dados constam de um Relatório de Inteligência Financeira (RIF) elaborado pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras. Segundo o documento, a maior parte dos pagamentos foi destinada ao escritório de advocacia do ex-ministro. Foram três transferências que somam R$ 445 mil, realizadas entre outubro de 2023 e outubro de 2024.

Além disso, o relatório registra um pagamento de R$ 150 mil por meio de cheque, sacado pelo próprio Nefi Cordeiro. Todos os repasses ocorreram após sua saída do STJ, em março de 2021, motivada por problemas de saúde.

As transferências foram feitas pela empresa ACX ITC Serviços de Tecnologia S/A. O sigilo fiscal da companhia foi quebrado pela CPMI do INSS por ter recebido recursos da Arpar Participações e Empreendimentos, empresa controlada por Antunes.

De acordo com a Polícia Federal, a Arpar funcionava como uma empresa de passagem, utilizada para fragmentar o fluxo financeiro, dificultar o rastreamento da origem dos recursos e ocultar os beneficiários finais. Nesse esquema, os valores eram distribuídos a diversas firmas, entre elas a ACX ITC.

Conforme o requerimento de quebra de sigilo aprovado pela CPMI, a ACX ITC recebeu ao menos R$ 4,4 milhões da Arpar.
Procurado, o escritório Nefi Cordeiro Advogados informou, em nota, que os valores recebidos referem-se à prestação de serviços jurídicos e não têm relação com investigações envolvendo o Instituto Nacional do Seguro Social.

“O escritório Nefi Cordeiro Advogados esclarece ter recebido, em 2023, da firma ACX ITC, honorários advocatícios pela prestação da atividade-fim da advocacia, em processo judicial com interposição de recursos, sem qualquer vínculo com os recentes fatos investigados do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS)”, afirmou a banca.

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